domingo, abril 16, 2006

Relações repetidas, pessoas repetidas.

Os relacionamentos vivem quase sempre os mesmos problemas: ciúme, possessividade, insegurança no (e do) parceiro, orgulho demasiado, cobranças etc são alguns exemplos. Acho que ainda não paramos para pensar realmente sobre isso. As relações se repetem pq os problemas nas pessoas tb se repetem! Não pensamos com muito rigor a respeito, mas é evidente que se sempre temos em volta pessoas que vivem estes problemas(isso quando não somos nós mesmos), parece-me óbvio que criamos um certo comportamento que tenderá a ser repetido numa próxima relação. Viciamo-nos em tudo. Esperaremos a mesma coisa. Provocamos na outra pessoa, inconscientemente ou não, as mesmas atitudes que vivemos no passado.

É como se não conseguíssemos partir do zero. Iniciamos um novo ciclo repetindo atitudes anteriores. Estamos prontos para exigir as mesmas coisas. Não estabelecemos critérios racionais para o que é legal e o que não é. Somos viciados em nós mesmos, em nossas manias, e repetimos, como uma máquina, tudo aquilo que nos mostrou não ser construtivo dentro de um relacionamento. Sonhamos com uma relação diferente mas continuamos os mesmos. Colocamos na outra pessoa a responsabilidade de nossa felicidade, do "dar certo" ou não.

Outro dia parei pra pensar e a priori fiquei triste por achar que poucos casais eu enxergava como realmente felizes. Mas logo depois, antes que eu me desanimasse por completo, fui mais rigoroso e pensei: mas será que quantas destas pessoas se enxergam de verdade e buscam o autoconhecimento? Quantas destas pessoas não despejam no outro a responsabilidade da própria felicidade? Quantas destas pessoas são escravas do próprio sentimento?

Depois de responder a tais perguntas, voltei a imaginar a possibilidade de um dia as pessoas serem mais felizes! Não vejo como única saída a busca de si mesmo, mas acredito piamente que quanto mais nos esforcemos a entender melhor o que somos e o que realmente queremos, ficamos mais propensos a acertar e menos ao gosto da sorte. Temos que pensar sobre o que realmente queremos, e não sobre o que a sociedade, mídia etc nos vende com sabor de felicidade e alegria. Parando um pouco pra pensar, percebemos fácil fácil que somos aprisionados pelo padrão de conduta e do que querer, tudo isso sem questionamentos mais racionais e pessoais, que deveria ser o natural de cada um.

Precisamos ser mais ativos e responsáveis por nós mesmos! A responsabilidade de ser feliz passa por escolhas que nem sempre temos coragem de fazer. E quando não o fazemos, somos o primeiro a reclamar da situação, esquecendo que não há uma arma apontada para nossa cabeça nos impedindo de mudar de escolha. Nos colocamos envolvidos em situações gigantescas que nos impedem a tomada de atitude. Pura auto-enganação. Somos uma máquina de reclamar e altamente condizentes com nossa falta de coragem. Um leva ao outro. Temos dó de nós mesmos, aumentando a nossa importância interna e achando que, por estarmos sofrendo tanto, um dia seremos recompensados! Isso quando não achamos que a coisa pode mudar (sempre dependendo do outro ser mais assim ou assado)! Não sei o que é pior.

Imaginamos que a mudança de parceiro é o ponto-chave. E quando mudamos de parceiro (que era o "culpado"), vemos (geralmente depois que aquele foigo inicial passa) que os problemas continuam. Mudamos de relações e continuamos com reclamações repetidas ou iguais às dos outros ao lado. Isso pq não percebemos, mas continuamos problemáticos iguais. Repetimo-nos como máquinas. Não melhoramos o nosso discernimento, só mudamos de parceiro. Não melhoramos nosso critério de escolha e nem passamos a ser melhores. Pq deveríamos então ser mais felizes? Vc prefere contar com a sorte ou com vc mesmo?

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

Excelente seu blog. Parabéns!

7:31 PM  

Postar um comentário

Assinar Postar comentários [Atom]

<< Página inicial