sexta-feira, abril 07, 2006

Sonhos, Ilusões, Fusão e Realidade

Andei jogando fora coisas velhas de amores antigos. Andei vendo o quanto eu sonhava e o quanto era legal sonhar. Sonhar te dá asas, permite a falta de sintonia, permite viajar apenas em pensamentos que estão longe de ser realidade. De tanto lembrar dos meus sonhos, acabei associando minha ingenuidade e falta de experiência à eles. Pensando bem, de uma certa forma sonhar é permitir-se desplugar do que é real, é ser feliz e imaginar que o mundo pode ser feito por aqueles pontinhos que ligamos em nossos pensamentos, quase sempre nos permitindo o mais lindo devaneio sobre o que é amor.

Hoje percebo que não vivo mais este tipo de sonho. De uma forma geral, o tempo relacionado com a maturidade e experiências amorosas foram me tornando menos sonhador. Tava lembrando de como escrevia cartas amorosas aos montes pras respectivas, todas regadas de muito romantismo (outro dia achei uma que me deu até vergonha. Na verdade me livrei de muitas delas, mas ainda preciso fazer a limpa no meu armário). Lembro como passava o tempo criando super-hipers figuras no CorelDraw escrevendo meu nome com o dela. Vááááárias versões. Todas devidamente entregues com o sorriso de orelha a orelha. Ah, fora os muitos apelidos impublicáveis, de tanta vergonha.

Com o tempo, passei a comprar cartões prontos. Escrever eu ainda tenho gosto em fazer.
Apesar da mudança, acho tolice imaginar que o amor agora é menor, que minha vontade de estar com a pessoa amada é menor. Aprendi com a vida a sonhar menos com o amor que querem vender como perfeito, o que me deixou mais sereno, mais calmo, menos ciumento. Trazer a realidade mais próxima da nossa mente pode acabar com muitas ilusões, com certa dose dos sonhos, mas não significa que vc ama menos (aliás, o conceito de amar está extremamente doido nesse mundo. Todo mundo ama todo mundo. É eu te amo pra cá e pra lá, permeado por brigas, discussões, falsidade e infidelidade. Conduzir o que é amor para este tipo de relação e tornar a palavra (não o sentimento) tão fácil de se dizer está a serviço da construção do amor como uma coisa sempre louca, que tem que ser vivida como nos sonhos - que quase sempre são muito pouco reais).

Amor é um sentimento de qualidade que não deve ter sua intensidade mensurada pelo padrão de atitude ao qual estamos expostos. Acredito que quem busca a vida inteira por este padrão que está aí, e que se vê nas novelas, filmes (que lembre-se, duram ou horas ou meses), vai ficar vivendo uma vida de montanha-russa. E geralmente são as pessoas que mais se vêem dependente de outras para sua própria felicidade.

Percebo hoje que o que mudou em mim é que não sou mais adepto à fusão romântica, correspondente àquela necessidade que vai nos corroendo por dentro enquanto não estamos com a pessoa amada. Aquele desejo sem fim, quase uma necessidade, não faz mais parte de mim. Isso que mudou.

Prefiro não sonhar se for pra enxergar o mundo mais parecido com o que realmente ele é. Prefiro saber onde estão os erros do que imaginar que tudo será como a imagem que vendem por aí.
Sonhar foi bom, mas não troco o meu hoje pelo meu ontem. Jamais.

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