Choque-de-realidade!
Antes, quando ouvia problemas de relacionamentos alheios, era enfático. Tinha um rigor nos conselhos que poucas vezes conseguia propor em minha própria vida. Era rude mesmo. Falava o que as pessoas não queriam ouvir pq elas não estavam preparadas - nem eu preparado para dizer.
Eu era o cara que enfiava a faca na ferida, extirpava e quase exigia: faça isso ou aquilo. É claro que as pessoas, provavelmente por fraqueza, nunca faziam o que eu falava. Acho que não me achavam louco, pois as mesmas pessoas acabavam me procurando novamente. Não para dizer sobre eu estar certo ou errado, mas sim pedindo mais conselhos e pq eu sempre fui um bom ouvinte - aliás, hoje sou muito mais ouvinte do que "falante".
Eu sabia de uma certa forma que minha posição era forte, e acho que no fundo as pessoas me procuravam pq eu nunca fui aquele que dizia o padrão, aquela coisa de enxugar a lágrima o tempo todo, passando a mão na cabeça. Engraçado que, pensando melhor agora, percebi que as mesmas pessoas que viviam cada coisa que eu julgava absurda dentro do relacionamento são as mesmas que sempre me procuravam novamente: será que gostam de sofrer mesmo????? Muita viagem imaginar que elas sentiam-se tão fracas ao ponto de não conseguirem ser diferentes do que tb achavam absurdo, mas eram tão inertes que depois vinham ouvir as minhas posições extremas como sendo uma punição à própria fraqueza?
Então, voltando à Terra, digo que hoje não sou mais assim. Hoje sou mais na minha. Ouço mais do que antes (não sei se o ideal). Não sugiro mais atitudes na relação direta com o parceiro, e sim que a pessoa vá atrás de descobrir o que realmente se passa na vida dela. Tento ajudar a pessoa a se descobrir dentro daquele turbilhão que ela mesma se colocou e que acha que não tem saída.
Procuro fazê-la entender muitos porquês dos quais ela nunca parou pra pensar. Continuo não sendo "bonzinho": responsabilizo a pessoa por tudo, pq essa é a verdade máxima que insistimos em não acreditar.
Hoje sou assim. Se é o melhor jeito, não sei. Se é de fato uma verdade tão absoluta quanto penso hoje, tb não sei. Mas sinto-me feliz por ter perdido a pontualidade da crítica, que sempre se mostrou pouco eficiente.
Não adianta muito alguém chegar, mesmo que muito bem intencionado, interpretando a situação alheia e dizer o que deve ser feito! São os pensamentos da própria pessoa que devem reunir as informações necessárias para que seja tomada alguma atitude. É só assim que ela pode tomar uma atitude com convicção e baseada em fatos. Não podemos transferir a nossa convicção, mas podemos ajudar a pessoa a ter a própria convicção. Como? Eu acho que através do choque-de-realidade. Tentamos fugir cada vez mais de nossa realidade pq nos incomoda muito sabermos de nossas dificuldades. Mas a única solução para uma vida melhor é encarar aquilo que queremos esconder e é tão evidente aos olhos dos outros. É melhor que estejamos cientes do que realmente somos e trabalhar aquilo na gente do que deixar que o inconsciente nos guie por caminhos tão árduos e pouco explicáveis por nossa razão - e que nos faz sofrer.
Cada um que descubra e faça o seu caminho conscientemente. Quem é de fora apenas pode ajudar. Da mesma forma que a pessoa legal te ajuda, mas não pode fazer as coisas por vc, tudo aquilo que não é legal tb não tem o poder de fazer vc tomar atitudes. Pensando nisso, pq então reclamamos que nossa vida é ruim e muitas vezes damos a culpa pros outros, se somos nós que sempre tomamos as atitudes, por mais bem ou mal intencionado seja o fator externo? É de se pensar, não?


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