segunda-feira, julho 31, 2006

Corinthians?

Eu, como Corinthiano, já chorei pela perda de um campeonato, isso em 1984. De lá pra cá, amadureci, comecei a entender o mundo um pouco melhor e deixei de ser tão apaixonado por um time de futebol.

Mas hoje está tudo muito pior. Sinceramente, estou desgostoso com o time de meu coração. Perdi a referência do clube que aprendi a gostar, onde a raça era a única obrigação quando um jogador vestia a camisa do Corinthians. Desorganização, dinheiro que ninguém sabe de onde vem, péssima gestão, falta de critérios em contratações, pessoas com interesses excusos etc estão fazendo o Corinthians perder seu principal diferencial: a torcida que tem um time.

Perdi o tesão de torcer, dificilmente ligo o rádio pra ouvir os jogos e, quando passa na TV, até vejo, mas não é mais aquela coisa super importante e imperdível.

O Corinthians merece estar onde está. Como um país onde há uma sucessão de corrupção e coisas obscuras, o Corinthians é comandado por gente que não sabe o amor que a torcida tem pelo clube. Amor esse que está se esvaindo. Estão transformando o Corinthians numa farra onde só se ganha dinheiro, enquanto o time perde a sua tradição construída em quase 100 anos.

Do outro lado, vemos o São Paulo. Ah, São Paulo. Que organização, que transparência... e só poderia estar onde está. Parabéns! Cada um precisa ter o que merece, e o Corinthians está colhendo o que vem plantando. Só que, como efeito de tamanha desorganização, está perdendo a torcida, que sempre teve tesão em torcer mesmo pelos fracos jogadores, que ao menos se empenhavam e muitas vezes levavam o Corinthians a disputar títulos. Somos fiéis de Tupãzinho, Biro-biro, Neto, Marcelinho Carioca e outros tantos; não de Roger, Gustavo Nery e companhia.

Hoje vejo que o título do ano passado foi um erro. Um erro que levou o Corinthians à soberba, a pensar grande com um time que estava fadado ao fracasso e em devido descenso.

Corinthians não é minha vida, Corinthians faz parte de minha história, mas está muito aquém do que eu chamo de amor por um clube. Mas, no fundo no fundo, esse num é o Corinthians que aprendi a torcer. Aquele, quem sabe, um dia volta. Mas pra isso muita coisa precisa mudar.

Tolerância

Qualquer coisa que foge à nossa visão do que seria correto nos provoca raiva. Somos intolerantes com o diferente da gente, com o pensar diferente, com o agir diferente. Não deixamos as outras pessoas existirem; queremos que elas sejam como nós somos, moldá-las ao nosso querer; que elas ajam de acordo com nossa vontade e o que nós faríamos. Esquecemos de que ela não viveu a mesma vida que nós vivemos; que ela não tem o mesmo sensor que recebe os fatos externos (e que ela vive com outros fatos externos), e que ela nem é obrigatoriamente tão sensível ou insensível quanto gostaríamos que ela fosse - que, na verdade, é igual a gente!

Tolerância é uma palavra de difícil digestão, que custamos a acatar nos momentos em que somos contrariados. É um bom primeiro passo saber que a tolerância deve ser pensada em 100% dos casos. E que não há exceção. E se sua cabeça achar que há exceção, não admita, pois é apenas uma justificativa de autopromoção e tentativa de prevalecer a sua percepção de mundo.