Estar sem emprego e ficar em casa, mesmo que fazendo algo produtivo como ler e estudar, não rende nada monetariamente. Não me ajuda a fazer planos, não me incentiva a sonhar e só me dá insegurança. Estou numa fase que estou com medo. Estou feliz sentimentalmente, mas com um medo generalizado. Medo de perder a namorada-linda que tenho (o que me fz ficar chato, pegajoso, fazendo perguntas inoportunas, aquelas de chato mesmo). Medo de não encontrar algo que justifique anos de estudo - a maioria deles pagos por meu pai. Minhas contas estão acabando comigo, e além de me deixar sem dinheiro, fico inseguro e desmotivado. Sei que deveria ser justamente o contrário; deveria ter motivação e criatividade para superar a falta de dinheiro, mas tá difícil. Não sou a pessoa que mais manda currículos por aí, mas ando fazendo meus contatos. E CV viajando por aí em gavetas esquecidas há aos montes. Acredito que 98% dos empregos são obtidos através de indicações, basta olhar ao meu redor e concluir.
Muitos dizem que concurso público é a solução. Sim, pode ser. Monetária, talvez. Pq se prestar a fazer qualquer coisa, apenas pelo dinheiro e sem vontade, não é comigo. Pelo menos meu desespero ainda não me fez rachar de estudar para ser Fiscal da Receita - coisa que não tem nada a ver comigo - só para encher o bolso de dinheiro. Auto-enganação por dinheiro. Não sei se é justo comigo e se faz alguém verdadeiramente feliz.
Aliás, pensando melhor, já sei: isso é castigo por tanto tempo de auto-enganação em profissão errada. Ops, será que está errada mesmo? Tá, nem eu sei. E hoje não é um bom dia para responder isso. Mas a falta de oportunidade é a grande geradora de incertezas. Sendo mais justo em relação à isso, a falta de motivação pelos problemas que tive durante meu mestrado ajudaram a me desanimar com a profissão. (Ou me indicaram a realmente buscar outra coisa?)
Ontem, dia dos namorados, recebi um presente lindo. O mais lindo EVER. Quero dizer, os mais lindos EVER, pq não foi apenas UM. Um mais lindo que o outro.
Olha, cheguei em casa mal, envergonhado por não poder ter oferecido o mesmo. O presente não foi o problema, mas sim escancarou o problema real de minha vida. Em dias como hoje, tenho a sensação de estar cavando meu próprio poço. Os motivos variam e convergem para a mesma sensação: tento andar e correr, mas me sinto no mesmo lugar. Parece que não há solução.
Ainda bem que amanhã é outro dia.