quarta-feira, maio 31, 2006

Mudar é difícil

As pessoas esperam o mesmo de você. Quando vc tenta ser diferente, após uma incansável luta interna, lá vem elas dizendo que não esperavam isso de vc, quando o que mais vc queria ouvir era: “puxa, vc conseguiu, vc foi diferente, vc teve força interna e motivações para fazer diferente. Parabéns!”

Mas não é nada disso que ouvimos; vc luta, luta e luta para, no final, ser motivado a voltar a ser como antes. As engrenagens estão todas ali, esperando a sua mesmice, esperando o mais-do-mesmo, o seu velho hábito, aquele condicionamento apenas herdado de alguém ou do senso-comum, aquele que não passa por critérios racionais e estão já estabelecidos, independentemente de ser bom ou ruim.

As pessoas ao redor apenas esperam a sua mesmice, e, como vc, elas não estão preparadas para uma mudança, mesmo pq talvez a mudança não seja conveniente para elas. Já é tão difícil mudar algo na gente, e mal sabíamos disso. Precisava existir tb toda essa pressão externa?

Morar com família e querer mudar algumas coisas em vc e na rotina de tantos anos, mesmo que baseado em critérios racionais, exige paciência, tolerância e respeito. Ao máximo e o tempo todo.

quinta-feira, maio 25, 2006

Indícios

Antes de entrar no cinema pra ver "O Código Da Vinci", na hora de comprar pipoca:

Ela: Você vai comer pipoca? Se não for comer, eu pego uma pequena.
Eu: Tá. Eu vou comer sim, vamos comprar uma maior.
A atendente: Com manteiga?
Ela: Pode pedir com manteiga?(com a carinha mais linda)
Eu: (pouco pensativo) Tá, vai. Pode.
(detalhe: eu nunca como com mateiga)

quarta-feira, maio 24, 2006

Sessão Gikovate :Vaidade

Do livro "A Libertação Sexual, rompendo o elo entre o sexo, o poder e a agressividade", capítulo 9, página 153.

"O prazer que sentimos ao nos exibirmos como seres especiais capazes de atrair olhares de desejo ou admiração é de natureza erótica e não tem nada a ver com o fato de "amarmos" a nós mesmos. Aliás, fosse essa a verdade, não teríamos necessidade de nos exibir, já que estaríamos plenamente realizados em nós mesmos."

segunda-feira, maio 22, 2006

Hoje está tudo errado

Hoje foi o dia do tudo errado. Foi não; é, pelo menos até meia-noite.
Eita dia que eu estou chato. O maior chato do mundo. Péssima companhia para mim mesmo. Eu não estou me aguentando. Até o livro do Gikovate hoje tava chato.

Hoje, os mesmos problemas de ontem estão 909732898309 vezes maiores na minha cabeça, que está prestes a explodir.

Hoje é o dia do caos. Cadê o PCC para dividir a atenção dos meus problemas? Cadê meu emprego? Cadê minha tolerância?

Queria que hoje fosse passado para pode enterrar.
AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!

quarta-feira, maio 17, 2006

Erro de foco

Acho triste conversar com as pessoas que pensam mais sobre os outros e sobre o que os outros pensam delas ao invés de pensarem e objetivarem a própria vida, o próprio eu.

É um erro total de foco - ao custo da própria felicidade - pensar e agir para os outros. É como se precisássemos estar bem não para que possamos usufruir de um estado de liberdade e alegria, mas sim para que fulano ou ciclano possa ver que nós estamos bem, que aquela fase ruim passou, que nós esquecemos o amor antigo e agora estamos bem. Aliás, como nós podemos ter esquecido uma pessoa se o seu intuito é justamente que a outra pessoa nos veja "bem"? Engraçado que para isso recorremos aos prazeres efêmeros, nos auto-enganamos dizendo a nós mesmo que estamos em uma outra fase, atribuimo-nos uma felicidade irreal apenas para atingir alguma pessoa que não está mais nem aí pra nós. Pela vontade absurda de mostrar-se em uma fase diferente e boa, perdemos critérios e esquecemos a nossa opção de escolha. O que acontece: acabamos com um parceiro em que não há qualidade de relacionamento e de repente nos sentimos escravos do que já passamos a sentir.
Queremos mostrar pros outros o que não somos e o que não estamos (felizes), e é claro, nos atropelamos de novo. Quando é que vamos cuidar definitivamente de nós mesmos, sem nos importamos com os outros? Não é difícil perceber que a felicidade está em nós mesmos. Seja rigoroso e chega de auto-enganação. Busque as coisas para você. Importar-se com os outros não está com nada, não gera bem algum além de sofrimento pra você mesmo.

quinta-feira, maio 11, 2006

Senso-comum

Não sei lidar quando o assunto é senso-comum e amor. Tenho dificuldade de retrucar e responder à alguém que me joga uma frase de efeito, aquelas do tipo: "Eu devo ter feito algo muito errado em outra vida pra me dar tão mal nessa", " O que eu fiz pra gostar de alguém assim?" etc. O que eu faço então? Muitas vezes hesito em responder. Por uma questão da pessoa não estar preparada para ouvir diferente do senso-comum e tb por eu não ter a capacidade de explicar em pouco tempo muita coisa que cada um deveria ter buscado aprender por conta própria em alguma situação da vida.

Eu não nasci sabendo, nem sei tudo. Longe disso. Mas para mim é claro que o que eu penso hoje está muito mais próximo de uma "verdade" do que há um ano. Eu busquei ajuda em mim mesmo, enterrei-me em livros que me ajudassem a entender melhor como as coisas acontecem quando o assunto é amor. Não queria mais sofrer e achar que isso era normal. Não queria mais estar ao lado de pessoas das quais eu não tinha afinidades essenciais para um bom relacionamento, ou seja, queria entender o pq de minhas escolhas amorosas serem tão diferentes do que eu imaginaria ser uma coisa boa para mim.

Para isso, fugi do senso-comum e fui buscar a realidade sob um ponto de vista psicológico, que condizia com as situações que eu vivenciei e que são as mesmas que estão por aí aos montes. É a teoria de nossas vidas contadas através da prática.

Senso-comum é ótimo para uma auto-sabotagem. Sem perceber, temos as desculpas para cada infelicidade que fomos capazes de produzir por nós mesmos. Olhamos sempre pra fora, apontando os erros, usando o senso-comum. E não percebemos o que é mais grave: é graças o senso-comum que não conseguimos criar relacionamentos melhores. Olhamos para o lado e vemos todos iguais, homogêneos em problemas e dificuldades, todas abençoadas pelo senso-comum.

Ai, que ótimo. Como temos dó de nós mesmos! Nos omitimos, cultivamos nosso fracasso e temos as respostas na ponta da língua.
Assim fica fácil. Pra quê aprender?

A foto do carro...

quarta-feira, maio 10, 2006

Circunstâncias

Voltando de carro - depois de ter ido jantar com a pessoa mais linda do mundo - estou eu na radial leste, mais precisamente na ligação leste-oeste (sentido bairro), atrás de uma parati, a uma velocidade aproximada de 70km/h, quando de repente, a parati sai de minha frente de uma forma inesperada, cortando para a direita e me deixando à frente um carro PARADO em plena radial, meia-noite e pouco da manhã. Pois bem, com carro do meu lado direito e do lado esquerdo o guard-rail, nada pude fazer além de frear. Ou melhor, tentar frear. Bati com tudo na traseira de uma Saveiro (parada), na faixa da esquerda da radial, meia-noite e pouco, sem sinalização alguma, o cara sem documento do carro, sem habilitação e sem ter o que dizer.

Não acredito. A primeira impressão é que vc sempre poderia ter evitado se... se... se... Estou desconsolado, porém bem. Apesar que nesta altura já estou sentindo algumas dores da pancada.
Sei lá. Parar o carro e não colocar sinalização alguma, no meio da radial leste, é dose. É omissão, no mínimo. Crime sem dolo. A primeira coisa que fiz depois que meu carro ficou estatelado e grudado na saveiro foi colocar o sinalizador. E olha que se não o tivesse colocado, haveria mais batidas, já que um outro motorista freou em cima e atropelou o meu triângulo. Alguns bons minutos depois, a CET nos tirou de lá, pq o local era perigoso, e nos deixou em uma área mais tranquila. Seguro chamado, carro rebocado. Já está aqui em casa. Tadinho. Mas é só um carro.

Estou chateado, pq aquelas questões "se tivesse feito isso, se aquilo" etc ficam perseguindo nossa mente, por mais que a circunstância tenha sido capital para o acontecido. Parece que queremos ser super o tempo todo.

Agora, de quem é a culpa perante a lei, eu não sei. Bati na traseira, mas...

PS: Assaltado há mais de um mês: -350 reais (celular e dinheiro). Franquia do carro: -700 reais
Alguém tem algum emprego pra mim?

terça-feira, maio 09, 2006

Fui na palestra do Flávio Gikovate...

E foi ótimo. Mesmo que para mim ele estava praticamente repetindo tudo aquilo que já li em 7 livros dele. É bom conhecer uma pessoa que vc tanto admira. Ganhei um autógrafo em meu último livro comprado dele, e meu irmão comprou um dos faltantes para eu ler (Você é Feliz).
Gikovate escreve tudo de uma forma que faz vc encontrar consigo mesmo e desmistifica as mágicas que nos são vendidas e que nos levam a caminhos dos quais fingimos ser vítimas.
Eu não ganho nada em fazer propaganda dele, e ele nem sabe quem eu sou, mas eu queria que todos tivessem coragem de lê-lo. Oportunidade de conhecer a ti mesmo é impagável.

Compre um livro do Gikovate. Dos que eu li, sugeriria "A Liberdade Possível" para começar. A leitura é levíssima e de fácil entendimento.

segunda-feira, maio 08, 2006

Declaração

Ainda que eu sonhasse
Imaginando uma pessoa maravilhosa
Ainda que tentasse
Não conseguiria imaginar tão bela
Aí está ela, dos sonhos não sonhados para a realidade mais do que bela

domingo, maio 07, 2006

Livros do Gikovate

Acabei de terminar o livro "A Libertação Sexual". O livro é do Gikovate, e fala sobre como romper a aliança do sexo com a agressividade e poder nas relações entre homem x mulher. É impressionante que cada vez que leio mais vou entendendo os mecanismos que movem as pessoas, entendendo o quanto o senso-comum está a serviço das pessoas, muitas vezes inconscientemente, menos bem intencionadas.

É o sétimo livro que leio do mesmo autor, e toda esta leitura torna óbvio que somos frutos de equívocos de elaboração de idéias e/ou de vendedores de idéias bonitas que nos comprometem sem que percebamos. A idéia nem sempre corresponde aos fatos, mas insistimos em crer. Estou propenso a afirmar que talvez não exista maldade nas pessoas, mas sim que todas as pessoas são muito mal resolvidas. Essa falta de resolução as obrigam a competir e a jogar ao lidar com as outras pessoas. Apontamos o dedo pra fora, jogamos, lidamos mal com nossos parceiros e achamos que a culpa é sempre alheia. Acreditamos em inverdades (que nos vendem, que é o senso-comum) nas quais baseamos nossas atitudes, o que só pode gerar um mal resultado.

Somos frutos de uma administração interna que não se equaciona, e passamos a exigir do (ou jogar pro) meio externo os resultados. Lidamos mal com nossos parceiros pq não somos equacionados internamente. Lidamos mal pq somos frágeis e isso nos torna limitados em nossas escolhas. Apontamos o dedo pra fora na hora de achar os culpados em atitude de auto-enganação. Ruim é ter que perceber que auto-enganação está a serviço da própria infelicidade. Até quando vc vai suportar?

Questões matemáticas

Façam a seguintes contas:

1 - Imaginem características (de pessoas) das quais vc considera essenciais para que seja efetivado um bom relacionamento com vc, depois divida pela parceira(o) que vc efetivamente tem. A razão disso é proporcional à sua má escolha, que por sua vez é proporcional a falta de auto-conhecimento.


2- Imagine - novamente - características (de pessoas) das quais vc considera essenciais para que seja efetivado um bom relacionamento com vc, depois compare estas características com as suas. Se não chegar nem perto da igualdade, mostra que vc deve ter uma auto-estima baixa, pois procura nas outras pessoas aquilo que é diferente de vc.

sexta-feira, maio 05, 2006

Medo

Definitivamente o Gikovate é demais.

"
Paixão é amor em grande intensidade mais medo em grande intensidade. O coração não bate por amor, mas por medo."

Cada vez que o leio mais e presto mais atenção, mais percebo do quão longe estamos da realidade quando nos deixamos inundar pelo senso-comum e pela beleza de idéias que não correspondem aos fatos.

Vergonha

Ontem fui ao jogo Corinthians e River Plate. O corinthians, pra variar, foi mal. Quando o jogo é internacional e o corinthians vai bem, é exceção. Não fiquei envergonhado porque perdeu, até pq não tinha muita confiança no meu time pelos motivos supra-citados. E mereceu perder.
Fui ao jogo com meu primo argentino, torcedor do River, que trabalha em uma rádio de lá. Junto com ele estavam mais duas pessoas, tb da rádio. Meu irmão foi comigo. Eram 3 do River e 2 do Corinthians.

Não é o placar que me deixou envergonhado, e sim o que a torcida fez. Dá vontade de não torcer mais, de não ir jamais aos estádios enquanto estivermos educando pessoas para que, quando juntas, sintam-se poderosas e desabam em violência. Não estamos educando ninguém, vivemos de acordo com o que pode ou não pode, punição imposta pela sociedade e lei, e não pela educação adquirida em casa. Quais valores estamos dando às pessoas? Até quando será assim?

Estou envergonhado.

quinta-feira, maio 04, 2006

Homenagem

Eis aqui uma homenagem para alguém que hoje faz parte de minha vida e que me trouxe alegremente o amor...

CHEGA DE SAUDADE (Tom Jobim e Vinícius)

Vai minha tristeza e diz a ela que sem ela
Não pode ser, diz-lhe numa prece
Que ela regresse, porque eu não posso
Mais sofrer. Chega de saudade a realidade
É que sem ela não há paz, não há beleza
É só tristeza e a melancolia
Que não sai de mim, não sai de mim, não sai

Mas se ela voltar, se ela voltar,
Que coisa linda, que coisa louca
Pois há menos peixinhos a nadar no mar
Do que os beijinhos que eu darei
Na sua boca, dentro dos meus braços
Os abraços hão de ser, milhões de abraços
Apertado assim, colado assim, calado assim
Abraços e beijinhos e carinhos sem ter fim
Que é pra acabar com esse negócio de você viver sem mim.
Não quero mais esse negócio de você longe de mim...

terça-feira, maio 02, 2006

"Quando Nietzsche Chorou", eu sorri

Como estou numa fase muito introspectiva, lendo muita coisa a respeito de nós mesmos, de como funciona a nossa psique, nossos vícios, sentimentos etc, acabei esbarrando em Nietzsche. Nietzsche é um filósofo alemão, conhecidíssimo, que tem livros muito discutidos e polêmicos. Quem o lê geralmente adora, e a impressão que eu tenho é que é um caminho sem fim. Meu conhecimento sobre Nietzsche se limita em alguns bate-papos com leitores e em fóruns. E só.

Engraçado é que os leitores me afastam e me aproximam de Nietzsche. A impressão que eu tenho é que carregam frieza e vêem a vida de uma forma muito cinza. Talvez por perceber que é um caminho sem fim e nada colorido, eu me afasto. Mas há alguma coisa que me aproxima tb, que é como ele mostra a realidade repleta de interesses. Fruto desta aproximação, quis ver algo relacionado com Nietzsche, e a oportunidade de ver a peça surgiu. "Quando Nietzsche Chorou" é uma representação do que teria sido um encontro de um psiquiatra, Dr. Josef Breuer (lê-se Bróier, o mané aqui lia errado), famoso por ser um dos pais da psicanálise, mentor de Freud, com o próprio Nietzsche, que estaria num estado de desespero emocional, saúde frágil e pensamentos suicidas. O Dr. Breuer seria a última possibilidade salvação para Nietzsche, que teria se consultado com os melhores médicos da época que não resolveram seu problema.

A peça acontece com dois atores representando Nietzsche e Dr. Breuer no consultório do psiquiatra, com uma mesa grande e central, outra de canto com os remédios e duas cadeiras. Os dois atores conversando o tempo todo. E assim acredita-se que fora criada a terapia através de conversas. Conversas muitas vezes áridas, revelando pensamentos que são os clichês de Nietzsche, como por exemplo: vc ama alguém ou vc ama o sentimento que aquela pessoa te propociona?

Fica aí a recomendação da peça. Tem o livro tb, que deu origem ao espetáculo.
Ah, vá com uma boa companhia. Eu fui com a melhor. E descobri que só poderia ter saído de lá sorrindo mesmo.

Manteiga derretida

Sou uma manteiga derretida quando o assunto é homenagem aos pais. Hoje foi minha colação de grau ( sou professor licenciado), e segurei o choro diante daqueles clichês básicos que acontecem em 100% destas ocasiões. Com defeitos e virtudes, sou o que sou devido aos meus pais. Meus pais são educadores. Professores da vida. Ensinaram-me a viver, dentro da possibilidade e capacidade de cada um. Lições que valem como impulso inicial na criança, que mantém-se como alicerces da vida adulta. Respeito, honestidade, tolerância e amizade.

Minha formação acadêmica, colégio (à partir da 5° série) e faculdade, eles que bancaram. Meu mestrado, parte com bolsa de estudo e parte sem, fora dedicado à eles. É o mínimo que eu poderia fazer. Sinto que tenho uma dívida, talvez um sentimento de gratidão, por tudo o que eles me proporcionaram. Segurei o choro olhando pros lados, desviando meu olhar dos olhos deles. Meus pais são parâmetros que dizem o que sou, mas tb do quanto quero ser diferente em alguns aspectos. Meu amor não os torna perfeitos. Amo meus pais por eles terem proporcionado à todos os filhos oportunidades que eles jamais tiveram, e por quererem ver seus filhos melhores que eles. Eu os amo por um contexto, por uma vida e por uma educação que me proporcionou chegar onde cheguei.